Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Postal de Arranhó N°377: A Coreografia, O Cancioneiro

Monografia da Freguesia de Arranhó VIII [1]

A cantiga de Santo Quintino

            Freguesia de Santo Quintino

            De ti não me posso esquecer,

            Vou a cantar os lugares,

            Que tu tens em teu poder.

          Começo pela direita

          Por causa das confusões

          Se no Almarze houver revoluções,

          Fica a Seramena à espreita.

          Chanques também se ASSUJEITA

          pelo mesmo destino,

          Pedreira com  muito tino

          Pede à Zibreira gente.

          Malgas também é pertencente

          à freguesia de Santo Quintino.

          Pedreiras e Valdevez

          Não VÉVEM de OPINIÃIS,

          Mandam dizer p’ra MARAVÃIS

          E casais, por boas MANERAS.

          Alcareia com BRINCADÊRAS,

          O casal Barqueiro é Fidalgo,

          O Alqureidão fica a tremer

          Ainda me la fica o Pedralgo.

          Carreira e Monfalim

          E lugarinho da Batalha,

          Salregos muito trabalha.

          O Pé do Monte pelos ares

          Martim Afonso deita-se aos mares.

          P’ra se combater a Zebreira

          Fica Fetais na carreira,

          Vou-te contar os lugares.

          Lugarinho da Freiria

          Aonde eu tenho os meus cuidados

          Adeus Chã, adeus Folgados,

          Adeus lugar da Abadia.

          O Pinheiro com valentia,

          Adega por bem parecer,

          O Outeiro se vai haver

          Sózinho naquele deserto,

          Por ser o lugar mais perto

          Que tu tens em teu poder.

                                             GdaC [2]

Cantada nos bailes pela sogra do Tônho Padeiro, a Gertrudes Frade, nascida por volta de 1856.

Era uma moda de roda, com os pares agarrados. Em 1916 a dita senhora cantou-a num baile que se deu na serra de Alrote. Como precisava, arranjou a paródia em sua casa, a troco da venda de algum café e aguardente. Nesse tempo não se pagava a entrada.

Ainda acerca desta composição, conta-se que foi feita por um indivíduo, num curto espaço de tempo. Deitado sobre o caixão dizia ele:

– «Oh mulher, faz lá o jantar que eu vou estudar uma cantiga à freguesia de Santo Quintino.»

A que se segue, foi ensinada a F.L. [2] por sua mãe.

          Dizem que meu pai é fade,

          Eu sou filho duma freira,

          Eu fui feito às escondidas

          Cá de certa maneira.

          Lá no lastro do convento

          Aonde o meu pai morava,

          Toda a gente lá trabalhava,

          Lá ninguém perdia tempo.

          Era o meu INTERTIMENTO

          Fazer pequenos à grade.

          Ele Era o pai da maldade

          E neto da brejeirice,

          Dizem que meu pai é frade…

          Eu sou filho da ratice.

                                         F.L. [3]

(continua)

.

Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] abreviatura referindo-se a Francisco Luis, nascido em 1913.
[3] idem anterior.

#UsosCostumes

© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz