Monografia da Freguesia de Arranhó XV [1]
(continuação do anterior)
As três quadras que se seguem foram ouvidas a Maria Bernarda, de Trancoso de Baixo, num baile realizado em 1915, nessa localidade. A citada Maria Bernarda era uma cantora muito conhecida na região, tendo chegado a actuar gratuitamente na festa de Nossa Senhora de Ajuda, por volta de 1916.
Rapazes de Santiago
Raparigas Santiágueiros
Arredem lá p’ró lado
Que lá vêm os Trancoseiros
MANÉL foi um perdido
Perdeu a sua dama
Vá lá MANÉL não percas
O travesseiro à cama
António me deu um lenço
MANÉL um anel de oiro
Quero mais ao lenço do TONHO
Que ao anel daquele doido.
GdaC,[2] quando tinha 10 anos e esteve em
casa do seu tio Manuel, em Casal Velho
Eles a cantarem eram capazes de fazer bailes. Naquele tempo, eram cantadores de fama naquelas povoações,
Na A-dos-Melros canta o Preto
No Pardieiro o Ganhão
Em Santiago o Zé Bexiga
Em Casal velho o Morgado
Policarpo na Admoirão
Este é um documento vivo ensinado a GdaC, por sua mãe, que por sua vez aprendeu quando rapariga nova. Morgado era casado com Gertrudes, ti da GdaC. Zé Bexiga era primo direito da mãe da GdaC.-Dados que enquadram melhor este belo documento e lhe dão vida.
(continua)
Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] abreviatura referindo-se a Gertrudes da Conceição (Estrudes Quita), nascida em 1905
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