Monografia da Freguesia de Arranhó VIII [1]
A cantiga de Santo Quintino
Freguesia de Santo Quintino
De ti não me posso esquecer,
Vou a cantar os lugares,
Que tu tens em teu poder.
Começo pela direita
Por causa das confusões
Se no Almarze houver revoluções,
Fica a Seramena à espreita.
Chanques também se ASSUJEITA
pelo mesmo destino,
Pedreira com muito tino
Pede à Zibreira gente.
Malgas também é pertencente
à freguesia de Santo Quintino.
Pedreiras e Valdevez
Não VÉVEM de OPINIÃIS,
Mandam dizer p’ra MARAVÃIS
E casais, por boas MANERAS.
Alcareia com BRINCADÊRAS,
O casal Barqueiro é Fidalgo,
O Alqureidão fica a tremer
Ainda me la fica o Pedralgo.
Carreira e Monfalim
E lugarinho da Batalha,
Salregos muito trabalha.
O Pé do Monte pelos ares
Martim Afonso deita-se aos mares.
P’ra se combater a Zebreira
Fica Fetais na carreira,
Vou-te contar os lugares.
Lugarinho da Freiria
Aonde eu tenho os meus cuidados
Adeus Chã, adeus Folgados,
Adeus lugar da Abadia.
O Pinheiro com valentia,
Adega por bem parecer,
O Outeiro se vai haver
Sózinho naquele deserto,
Por ser o lugar mais perto
Que tu tens em teu poder.
GdaC [2]
Cantada nos bailes pela sogra do Tônho Padeiro, a Gertrudes Frade, nascida por volta de 1856.
Era uma moda de roda, com os pares agarrados. Em 1916 a dita senhora cantou-a num baile que se deu na serra de Alrote. Como precisava, arranjou a paródia em sua casa, a troco da venda de algum café e aguardente. Nesse tempo não se pagava a entrada.
Ainda acerca desta composição, conta-se que foi feita por um indivíduo, num curto espaço de tempo. Deitado sobre o caixão dizia ele:
– «Oh mulher, faz lá o jantar que eu vou estudar uma cantiga à freguesia de Santo Quintino.»
A que se segue, foi ensinada a F.L. [2] por sua mãe.
Dizem que meu pai é fade,
Eu sou filho duma freira,
Eu fui feito às escondidas
Cá de certa maneira.
Lá no lastro do convento
Aonde o meu pai morava,
Toda a gente lá trabalhava,
Lá ninguém perdia tempo.
Era o meu INTERTIMENTO
Fazer pequenos à grade.
Ele Era o pai da maldade
E neto da brejeirice,
Dizem que meu pai é frade…
Eu sou filho da ratice.
F.L. [3]
(continua)
.
Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] abreviatura referindo-se a Francisco Luis, nascido em 1913.
[3] idem anterior.
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
