Monografia da Freguesia de Arranhó VI [1]
1.3 – O Cancioneiro
Falar de cancioneiro de uma povoação não é possível, será sim possível falar de um conjunto de quadras populares e de cantigas de uma região. No caso presente, fiz uma recolha tão minuciosa quanto possível, colhendo tudo aquilo que havia sido apreendido na povoação.
Para procurar dar uma outra estrutura e ordem classifiquei as diversas composições em:
– Cantigas de bailes
– Cantigas diversas
– Versos de namoros
– Cantigas musicadas sobre Arranhó
1.3.1 – Cantigas de BALHES (bailes)
Dentro das cantigas bailes podemos considerar cantigas compridas e cantigas curtas, estas eduzidas à simples quadra desgarrada.
Dizia-se uma quadra, dava-se uma volta, virava-se, nova quadra se seguia. Pode-se dizer que qualquer verso servia para ser apresentado na CASA DA BRINCADÊRA, cantada a plenos pulmões sem qualquer acompanhamento.
Verdigaio Pena Branca
Cantada nos bailes por GdaC, [2] na serra de Alrote, [3] por volta de 1916. Cantava-se qulquer cantiga no estilo VERDIGAIO. Ela cantava o princípio e o Zé do Boição, com um hamónio, tocava o resto no mesmo estilo, ele não ganhava dinheiro, era apenas para divertir.
Verdigaio, verdigaio
Verdigaio, pena branca,
Encontrei o verdigaio,
Ao cabo de Vila Branca.
Vila Franca é rosa branca,
Alhandra é das flores,
Mais acima, é Alverca
Onde tenho meus amores.
(continua)
Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] abreviatura referindo-se a Gertrudes da Conceição (Estrudes Quita) nascida em 1905
[3] é de sublinhar que havia uma forte ligação entre as comunidades do lugar Serra de Alrote e da aldeia de Arranhó até aos anos 70. Concorriam para isso as fortes ligações familiares e de parentela, e também o facto das crianças virem todas à escola primária de Arranhó.
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
