São cada vez menos as pessoas que andaram connosco ao colo e nos tratavam pelo nosso nome próprio. É a lei da vida.
Mantivemos sempre grande carinho para com todas estas pessoas que, conhecendo-nos desde criança sempre manifestaram apreço e respeito deixando-me gratas recordações dum tempo em que na aldeia de Arranhó todos eram uma grande família e havia muita estima mútua. Talvez por isso mesmo não apreciamos o caminho entretanto percorrido, onde muita gente adoptou o tratamento por tu, ou pior, fingem ignorar, não sorriem nem cumprimentam.
Estes comportamentos acabam enfraquecendo as relações interpessoais e o espírito comunitário.
A bonita foto que apresentamos mostra um grande rancho de bonitas raparigas arranhoenses encantadas com uma criança, que provavelmente alguns de vós reconheceram. Nos dias de hoje elas são vossas mães, vossas avós, e até, bisavós.
O retrato é do final dos anos 50, e revela bem o clima de amizade e união que caracterizava a juventude arranhoense e que tão bem era cantada naquela parte da célebre Marcha de Arranhó:
«Nesta alegria fagueira [*]
Que na vida é passageira
Levai na vossa ilusão
Tão grata recordação.»
Nesta foto são visíveis a Fernanda, a Ludovina, a Maria José, a Loia, a Deolinda, a Etelvina, a Maria Albertina, a Natália, a Maria da Luz. O menino à frente somos nós próprios.
Notas:
[*] Fagueira em português pode ter diversos significados, dependendo do contexto. Em geral, significa algo que é afagador, meigo, carinhoso ou agradável.
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
