Era muito comum na aldeia de Arranhó o hábito de reaproveitar as coisas do dia a dia, pois a vida difícil sugeria não se desperdiçar nada.
Resgatamos da memória um exemplo típico dessa “economia circular” que já se vivia nos anos 60, onde homens e mulheres arranhoenses reaproveitavam os sacos de serapilheira que embalavam os adubos fertilizantes para uso agrícola, para fazerem de capuz para proteger da chuva, e ajudar a carregar cestos ou caixas.
Devidamente dobrado o saco era colocado na cabeça, protegia esta, assim como os ombros, e as costas.
A chamada serapilheira ou sarapilheira era um tecido grosseiro de fio de estopa [1], ou de juta [2], usado para fazer os sacos de embalagem duma reconhecida marca chamada ‘Nitratos do Chile’, que tinha como distribuidor oficial no nosso País a ‘Companhia União Fabril’, esta com uma forte presença em todo o mundo rural nacional.
Nas casas mais modestas da aldeia e lugares da freguesia, aqueles sacos eram mesmo usados como cortinas divisórias do espaço doméstico, em substituição de tabiques ou paredes.
Notas:
[1] a estopa são as fibras mais grosseiras que resultam da assedagem (penteação) do linho.
[2] a juta é uma planta tropical de cujo caule se extraem fibras para posterior fiação e tecelagem.
#UsosCostumes
© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
