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Postal de Arranhó N°378: A  Coreografia, O Cancioneiro

Monografia da Freguesia de Arranhó IX [1]

Baile na serra de Alrote. A cantiga que se segue foi cantada pelo Gabriel do Carvalhal, conhecido pelo Cardão. Um grande cantador e improvisador do seu tempo. O ano de 1913.

A cantiga do requitranque, uma moda de roda:

Eu casei-me com uma velha

Por via da filharada,

filha da puta da velha

teve dez numa LINHADA!

Esses dez que ela teve,

Mandei-os amassar cobre.

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Vieram dez, ficaram nove.

Esses nove que ficaram

Mandei-os apanhar biscoitos,

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram nove, ficaram oito.

Esses oito que me ficaram

Mandei-os apanhar fetos.

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram oito ficaram sete.

Esses sete que me ficaram

Inda te digo outra vez

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram sete, ficaram seis.

Esses seis que me ficaram

Mandei-os comprar um pinto

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram seis, ficaram cinco.

Esses cinco que me ficaram

Mandei-os comprar um pato

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram cinco, ficaram quatro.

Esses quatro que me ficaram

Inda te digo outra vez

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Morreu um, ficaram três.

Esses três que me ficaram

Mandei-os comprar bois.

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram três, ficaram dois.

Esses dois que me ficaram

Mandei-os comprar um perú

Veio o Tranque, requitranque, manganil

Eram dois, ficou só um.

Esse só que me ficou

Mandei-o comprar um pão.

Filha da puta da velha

Acabou com a geração.

GdaC [2]

(continua)

Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] abreviatura referindo-se a Gertrudes da Conceição (Estrudes Quita), nascida em 1905

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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz