Monografia da Freguesia de Arranhó IX [1]
Baile na serra de Alrote. A cantiga que se segue foi cantada pelo Gabriel do Carvalhal, conhecido pelo Cardão. Um grande cantador e improvisador do seu tempo. O ano de 1913.
A cantiga do requitranque, uma moda de roda:
Eu casei-me com uma velha
Por via da filharada,
filha da puta da velha
teve dez numa LINHADA!
Esses dez que ela teve,
Mandei-os amassar cobre.
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Vieram dez, ficaram nove.
Esses nove que ficaram
Mandei-os apanhar biscoitos,
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram nove, ficaram oito.
Esses oito que me ficaram
Mandei-os apanhar fetos.
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram oito ficaram sete.
Esses sete que me ficaram
Inda te digo outra vez
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram sete, ficaram seis.
Esses seis que me ficaram
Mandei-os comprar um pinto
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram seis, ficaram cinco.
Esses cinco que me ficaram
Mandei-os comprar um pato
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram cinco, ficaram quatro.
Esses quatro que me ficaram
Inda te digo outra vez
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Morreu um, ficaram três.
Esses três que me ficaram
Mandei-os comprar bois.
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram três, ficaram dois.
Esses dois que me ficaram
Mandei-os comprar um perú
Veio o Tranque, requitranque, manganil
Eram dois, ficou só um.
Esse só que me ficou
Mandei-o comprar um pão.
Filha da puta da velha
Acabou com a geração.
GdaC [2]
(continua)
Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] abreviatura referindo-se a Gertrudes da Conceição (Estrudes Quita), nascida em 1905
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
