Monografia da Freguesia de Arranhó [1]
Capítulo 1 – A Coreografia.O Cancioneiro
1.1 – Introdução
Já lá vai o tempo das cantigas ao desafio, nos bailaricos e nas fainas agrícolas, mondas, sachas, vindimas, escamisas. Já lá vai o tempo em que a rapariga recebia a declaração de namoro em verso e dava a resposta pelo mesmo processo.
Com a entrada do século XX, tudo isto praticamente desapareceu. Se no seu início as declarações de amor se foram, mais tarde as cantigas nos bailaricos se seguiram, e por último, as cantigas e os versos ao desafio nos trabalhos do campo.
Direi que tudo, quase tudo, se perdeu. Restam-nos alguns frangalhos do que terá sido o cancioneiro desta região. São poucas as cantigas agarradas à terra, são muitas ou praticamente todas as de autor desconhecido. Salvaram-se poucas, umas de fraco interesse, outras excelentes, excelentes pela formosura da construção, pela riqueza vocabular pela mostrança de costumes.
As iniciais no final de cada cantiga ou o próprio nome não correspondem ao autor, que é anónimo, mas sim à pessoa que a reteve na memória e a transmitiu.[2] É certo que nalgumas improvisações não terá deixado de haver criação.
Nalguns casos recebidas de analfabetos, tal como quase todos eram, no tempo em que eram contadas, procurei evitar destruir aquilo que me chegava às mãos, mantendo esses mesmos vocábulos, errados é certo, mas tal como eram pronunciados.
Notas:
[1] Transcrição de manuscrito dactilografado: Lourenço, Carlos Alberto Alves | Monografia da Freguesia de Arranhó, 1976.
[2] O autor aproveitava as suas férias e vindas à aldeia de Arranhó nos anos 70, para conversar com familiares e parentes, e escutar atentamente as suas memórias para as preservar.
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
