Na sequência da Exposição sobre o tema no salão do URDA nos anos 80, [1] continuamos a apresentar de forma faseada este Estudo que vem actualizar a nossa anterior história das dinâmicas associativas em Arranhó. [2]
A vida naquele tempo permanecia dura e difícil, mas os arranhoenses iam procurando orientar as suas vidas, aproveitando as oportunidades que o regime de Marcelo Caetano havia entreaberto.
Vários vivendo e trabalhando na capital e arredores, muitos percorrendo o País de lés a lés como camionistas, alguns permanecendo na aldeia, todos tinham a ambição comum de fazer progredir a sua terra.
E esta ambição traduzia-se em muitas iniciativas quer no âmbito da SURA quer do CDA.
9.1 – As dinâmicas do sonho na SURA
Como já referido a constituição da ‘Comissão Pro-Sede’ em 1971 suscitou um redobrado entusiasmo entre a população de Arranhó traduzido em almoços de angariação de fundos e concorridos bailes na velha sede da SURA.
Todos queriam ajudar, na medida das suas possibilidades, na concretização do sonho, encarado como de grande importância para o progresso e engrandecimento da aldeia de Arranhó. [3]
A ‘Sociedade’ sempre teve direcções e uma organização consolidadas e capazes de reunir recursos e boas vontades. E neste caso ocorreu uma união intergeracional inesquecível.
Muitos arranhoenses eram simultâneamente sócios da SURA e do CDA. E quando tocava a progredir, tocava a reunir e esqueciam-se eventuais rivalidades.
E assim em cada domingo os homens não só se reuniam para sociabilizar e conviver debaixo do velho choupo, como, logo que se criaram as condições, começaram a entregar-se a grandes jornadas de trabalho voluntário.
Com a Revolução de 25 de Abril de 1974 e os ideiais de Liberdade e Desenvolvimento que iluminaram o País, Arranhó rejubilou.
O ambiente de entusiasmo, união, e alegria, então vividos são inesquecíveis, e até difíceis de explicar hoje aos mais jovens, em que o ambiente social é muito diferente.
Felizmente recebemos esta foto [4] que pode claramente traduzir essa união, o empenho, e, a alegria, que faziam juntar dezenas de arranhoenses para trabalhar no duro, pelo bem comum, neste caso a levantar as paredes do novo Edifício Sede da SURA (Sociedade União Recreativa Arranhoense).
Tempos gloriosos. Uns acartavam baldes de massa, outros sacas de cimento ou tijolos, outros oferecendo os materiais, as máquinas, ou o transporte.
Foram momentos muito inspiradores que precisamos dar a conhecer e recordar, para motivar as novas gerações a também elas trabalharem no seu tempo próprio, para o bem comum.
Na foto podemos ver alguns valentes. Da esquerda para a direita:
o António Luis Gonçalves, o Guilherme Alves, o João Carlos Além, o José Manuel Gonçalves, e o António “da Horta” (António Santos Pereira).
Na altura da foto ainda se vêem várias manilhas, pois naquela zona foi necessário encanar a linha de água pluvial que, vinda do Vale, passa por debaixo da estrada nacional, assim como também a água que corria no Rio das Mulheres, e que desciam livremente em direcção ao rio da Silveira. Entretanto tudo foi encanado e terraplanado, nascendo o Largo Irene Lisboa e a rua do URDA.
Notas;
[1] Luiz, José M. Ferreira | Guião da Exposição 60 Anos de Vida Associativa Organizada | manuscrito dactilografado | Arranhó, 1989.
[2] Luiz, José M. Ferreira | Estudo Sobre o Associativismo em Arranhó | original, 2023.
[3] Carvalho, Lino Manuel Firmino | URDA 20 Anos | Grifos Fotocomposição | 1996
[4] cortesia da Maria Teresa Ferreira Lourenço Gonçalves
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
