O meu avô paterno, de seu nome Manuel Francisco Luis, tinha na sua horta junto do rio da Silveira, em Arranhó de Baixo, uma Picota.
Eu achava muito curiosa aquela “máquina” que permitia encher um balde no leito do rio da Silveira, uns metros abaixo, e trazer o balde cheio para vazar a água dentro do tanque que o meu avô tinha junto da Picota, ou deitar directamente a água nos regos ou leiras (previamente abertos) que alimentavam os legumes da sua horta.
Falamos dum tempo em que não havia àgua canalizada, nem electricidade, e o trabalho no campo era muito paciente e braçal.
A Picota, também conhecida por cegonha ou burra, era um engenho simples, tosco em madeira, formada por uma longa vara, o vaivém, (chamado balança, balanço, esteio, ou cambão) de pinheiro ou eucalipto, que se apoiava num prumo vertical com forma de forquilha ou garfo. A longa vara tinha fixada numa extremidade uma pedra pesada, e na outra extremidade uma haste rígida (a varela) onde era preso um bade de zinco ou de madeira.
O método de funcionamento era simples, embora penoso. O utilizador baixava à força de braços a varela até o balde chegar à àgua, e depois de cheio o balde ia levantando a varela com o balde, ajudado pelo contra-peso.
A Picota era um engenho antiquíssimo, com mais de quatro mil anos, e era muito comum no nosso mundo rural por todo o País, e também em Arranhó.
#CostumesLocais
© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
