Até aos anos 70, podíamos ainda ver nalgumas lojas da região oeste e naturalmente na aldeia de Arranhó, as peças mostradas na foto. Tratam-se de medidas em madeira, muito usadas para vender avulso [1] cereais (trigo, cevada, aveia, milho), ou legumes secos (feijão pequeno, grão de bico, feijão manteiga).
Como nas últimas décadas se instalou o hábito de comprar os alimentos em supermercados, e em muitos casos já processados, naturalmente muitos de vós já não foram fazer recados à loja para comprar um pouco de cereal ou de legumes secos, e, por consequência, não viram o logista dirigir-se à “tulha” [2] e usar uma destas “medidas” para a encher bem de cereal ou legume seco, e depois passar no topo da medida com uma régua de madeira chamada “rasa” ou “rasoira” para retirar o excesso. Depois disso, o lojista deitava o artigo dentro dum cartuxo de papel pardo e era só pagarmos e levar para casa.
Usavam-se para o efeito antigas unidades de capacidade para secos e líquidos, de que hoje já poucos ouviram falar:
Um Alqueire, valia cerca de 13 litros.
Meio Alqueire, valia cerca de 6,3 litros.
Uma Quarta, valia cerca de 1,6 litros.
Uma Teiga, valia 1 litro.
Um Quartilho, valia cerca de 0,5 litros.
Nos dias de hoje já não se usam estas unidades de medida, porque os artigos são comercializados de outro modo, e, os próprios hábitos de compra são diferentes, mas continua a ser importante conhecer a história e os hábitos de nossos antepassados onde em vez do consumismo prevalecia a sustentabilidade. Só se comprava o que realmente se precisava.
Notas:
[1] Venda avulso, é um modo de venda individual onde o cliente só compra a quantidade exacta que deseja, em alternativa à venda em embalagens estandardizadas com quantidades pré-definidas pelo vendedor. A venda avulso é uma forma de compra mais flexível e sustentável.
[2] Tulha, era o nome dado a um compartimento ou uma grande arca, em madeira, onde se guardavam os cereais em grão ou legumes secos.
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
