Histórias da imprensa escrita em Arranhó
O primeiro quartel do séc. XXI caracteriza-se por muita indiferença sobre o passado e as tradições entre nós. Parece haver entre as gerações mais novas uma convicção de já se saber tudo, desvalorizando tudo o mais para além do presente.
Nós sabemos que não é bem assim, que sem passado não se tem uma visão clara dos horizontes para um futuro promissor, e por essa razão insistimos em continuar a recolher e registar factos relacionados com a terra de nossos pais, avós, e bisavós.
Queremos hoje recordar e evocar uma iniciativa singular que marcou bastante a vida cristã arranhoense e também concelhia.
Tudo começou duma forma simples, no Verão de 2008, na praia de São Rafael, em Albufeira. Numa conversa amena à beira d’água, o novo pároco de São Lourenço de Arranhó, o Pe Rui Pedro Trigo Carvalho propôs-nos uma sua ideia de criar um boletim paroquial para ajudar à comunicação e evangelização pastoral.
Achamos a iniciativa interessante, e colocamo-nos à disposição do sr. pároco para colaborar no que estivesse ao nosso alcance.
Na escolha do nome para o futuro boletim o sr. pároco ainda hesitou entre dar-lhe o nome de «Adonai» (que quer dizer ‘Senhor’) ou de «Maranathá» (que quer dizer ‘Vem Senhor Jesus’), acabando por se decidir pelo último.
Para materializar o projecto havia ainda uma parceria fundamental a solucionar: a edição gráfica. Foi fácil de resolver este passo, pois o António Manuel do Vale Pinto aderiu generosamente desde logo com o seu empenho e da sua empresa gráfica Grifos.
Assim, com a providência de Deus, no Natal de 2008 foi distribuído gratuitamente aos paroquianos o primeiro número do boletim Maranathá, que mereceu desde logo um bom acolhimento.
Este projecto merece um particular realce, porque foi um projecto pastoral de franca colaboração pároco-leigos, onde foi dada total liberdade e responsabilidade a estes últimos.
O boletim tinha uma periodicidade mensal, sempre de distribuição gratuita, e começou por ter como destinatárias as comunidades cristãs das paróquias servidas pelo Pe Rui Pedro – Arranhó e Santana de Carnota.
Em 2010, bem consolidado nos hábitos da população crente, cresceu e passou a ser um boletim inter-paroquial destinado às comunidades cristãs das oito paróquias que integravam a então criada ‘Unidade Pastoral de Arruda e Sobral’, ao cuidado da equipa de sacerdotes: Pe. Rui Pedro, do Pe. Marcelo Boita, e Pe. Daniel Almeida.
O boletim Mananathá saiu regularmente até Março de 2015, sempre fiel ao desígnio inicial de ser um boletim formativo e informativo, para criar cristãos mais amadurecidos na sua fé.
A interrupção deveu-se a motivo de força maior na produção, e a equipa sacerdotal não mostrou empenho na superação da situação.
Ainda hoje a leitura de qualquer um dos números do Boletim continua a revelar a qualidade do projecto, e a sua actualidade e fidelidade ao Evangelho e à doutrina da Igreja Católica.
Não podemos pois deixar de apresentar aqui uma palavra de gratidão e reconhecimento para com dois bons amigos, que connosco trabalharam neste belo projecto pastoral para o bem comum.
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© Direitos Reservados, Reprodução Proibida | Arranhó Memória e Gratidão, compilação e foto de José M. Ferreira Luiz
